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  • Writer's pictureÍmpar Inteligência em Investimento

Ainda falando sobre diferença entre preço e valor...



“Preço é o que você paga, valor é o que você leva”

Warren Buffet


Dando continuidade ao tema da newsletter passada, nesta edição quero abordá-lo sob a ótica do investimento feito de forma superficial e com pouco aprofundamento em onde investir ou mesmo em qual momento de ciclo de mercado entrar. Nesta sequência, vou usar como exemplo o mercado de ações, por conta de sua maior volatilidade.


Imagine um investidor que investiu na ação de uma determinada empresa por indicação de um amigo que em um churrasco comentou que estava ganhando muito dinheiro nessa ação e que ele também deveria investir, pois estava deixando passar uma grande oportunidade. Passados alguns meses, o preço da ação cai 50%, e esse investidor está com dúvida e sem saber exatamente o que fazer com o investimento.


O principal erro desse investidor foi investir em algo que ele próprio não estudou e entendeu com maior profundidade para tirar as próprias conclusões se aquele era mesmo um bom investimento e se estava dentro do seu perfil de risco e horizonte de investimento. Num caso como esse, o correto seria o investidor estudar o case, entender o que levou o preço da ação a cair e avaliar se algo mudou radicalmente na empresa ou no ambiente de negócios para justificar essa queda.


Caso nada intrínseco à empresa tenha mudado, e o ambiente de negócios e as perspectivas futuras da empresa sigam sendo as mesmas do momento do investimento, esse investidor deveria avaliar a possibilidade de aumentar a posição, ou seja, comprar mais, visto que é possível que o preço tenha caído por um momento de pânico e estresse de mercado que não justifica a queda. Lembra do exemplo da calça jeans da última newsletter? Talvez o investidor esteja vivendo um momento de “liquidação”. Por outro lado, vamos imaginar que o setor em que a empresa está inserida tenha sido afetado de forma significativa por novas tecnologias, e que as perspectivas futuras de negócios estejam muito piores. Nesse caso o investidor deve avaliar vender as ações da empresa, mesmo que com prejuízo, pois as perspectivas futuras mudaram para pior. Apenas para ilustrar esses dois cenários, vou usar dois exemplos reais de momentos e situações bastante distintas.


No primeiro exemplo vou usar um case que aconteceu mais recentemente. Em 2020, logo antes do anúncio dos lockdowns, as ações da plataforma Zoom eram negociadas na casa dos USD 160,00. No pior momento de estresse e pânico, chegaram a ser negociadas abaixo de USD 110,00 (queda de mais de 30%). Alguns meses depois, chegou-se a negociá-las acima dos USD 580,00 (alta de mais de 300% sobre o preço anterior à pandemia ou de mais de 500% sobre o preço no pânico da pandemia), quando as pessoas se ajustaram para trabalhar de casa e passaram a usar o Zoom como meio de comunicação tanto profissional como pessoal, o que aumentou em muitas vezes as receitas geradas pela empresa.


Nesse caso o valor da empresa crescia na medida em que mais pessoas adotavam sua tecnologia, mesmo que de forma involuntária, pela necessidade daquele momento. Ou seja, nesse exemplo, aquele momento de pânico e aversão ao risco acabou sendo um momento de “promoção” do mercado.


No segundo exemplo, vou usar um caso que ocorreu há um pouco mais de tempo, para ser exato, no final dos anos 90 e começo dos anos 2000, com a empresa Italiana de máquinas de escrever Olivetti. Em resumo a empresa não conseguiu acompanhar a evolução do mercado e, conforme os computadores pessoais foram se popularizando, ela foi perdendo completamente seu mercado. Nesse caso, um investidor ou investidora que não conseguiu prever a derrocada desse mercado ficou preso(a) a um investimento sem futuro e que, no fim das contas, destruía valor a cada dia, pois foi ultrapassado por novas tecnologias que aposentaram as máquinas de escrever.


Em resumo nunca haverá uma resposta única. É importante que o investidor ou investidora entenda seus investimentos e avalie se a empresa investida gera valor ou perde valor ao longo do tempo, baseado tanto em questões microinerentes à empresa e seu modelo de negócios quanto a questões macro ligadas ao mercado e ambiente de negócios em que a empresa está inserida.


Até a próxima!



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