
Hoje vamos criar um paralelo entre culinária e investimentos. Será que podemos fazer alguma relação entre esses temas tão distintos?
Talvez a frase mais repetida em consultas com nutricionistas seja a da “diversidade de alimentos para compor uma dieta balanceada”, a ideia do “prato com alimentos de cores variadas que juntos se complementam para proporcionar um equilíbrio entre gordura, proteínas, carboidratos etc.”. É fascinante observar como a gastronomia tem um toque de alquimia, com diversos ingredientes que se misturam em proporções adequadas para proporcionar sabores, que separadamente seriam impossíveis de se alcançar.
Quando pensamos em investimentos, é a mesma coisa: é fundamental que haja uma diversificação entre diferentes tipos de aplicações, seguindo uma proporção adequada, de maneira que cada investimento atenda uma necessidade ou objetivo diferente, seja aquela necessidade de um resgate rápido em algum momento, seja a busca por uma rentabilidade acima do IPCA, ou a busca por uma rentabilidade mais alta naquelas aplicações mais arriscadas, porém, sem a garantia de um retorno positivo no futuro. Infelizmente não existe uma aplicação que ofereça todas essas características positivas ao mesmo tempo, por isso é fundamental que a carteira de investimentos seja diversificada (assim como a dieta) e de acordo com o perfil de cada um, para contemplar as necessidades e os objetivos individuais do(a) investidor(a).
Assim como na alimentação, os resultados que buscamos nos investimentos também são visando ao longo prazo. Uma dieta balanceada, quando seguida ao longo de décadas, irá proporcionar maior longevidade e qualidade de vida, com benefícios claros na rotina de qualquer um. O investidor disciplinado e paciente, que poupa de maneira determinada ao longo de muitos anos, tem grandes chances de colher os benefícios dessas atitudes principalmente no longo prazo, chegando em uma idade mais avançada com uma ótima saúde financeira.
No Brasil, o arroz com feijão é uma paixão. De fato, não podemos negar que cada região tem uma preferência por um tipo de feijão diferente (preto, carioca, branco, fradinho), mas a regra na maioria das cidades brasileiras é a presença garantida do arroz com feijão na hora do almoço. Essa combinação funciona como a “base” da refeição de muitos brasileiros, é o ponto de partida de qualquer prato, que depois se mistura com outros alimentos que costumam variar a cada dia. Pensando no mundo dos investimentos, a Reserva de Emergência (aquela aplicação com resgate rápido) seria o arroz com feijão. Podemos dizer que todos os investidores precisam manter uma reserva de emergência. O que vai variar de pessoa para pessoa é o tamanho dessa reserva. Alguns precisam de um grande valor em aplicações com resgate rápido, outros nem tanto. Ou seja, alguns brasileiros terão mais arroz com feijão em seus pratos e outros terão menos.
Quando lemos em uma receita culinária: “sal a gosto”, significa que não existe uma quantidade “certa” de sal naquela receita. Cada pessoa tem um paladar diferente e tolera uma quantidade diferente de sal. Outro tempero que segue essa dinâmica é a pimenta, que seria um patamar ainda mais seletivo de paladar, já que apenas algumas pessoas se aventuram a experimentar certos graus de ardência, como o da pimenta malagueta. Fazendo uma analogia com os investimentos, seria o mesmo que pensar no “risco” das aplicações: os investimentos mais arriscados são aqueles que buscam rentabilidades mais elevadas.
Nesse tipo de investimento, os investidores se expõem a riscos mais altos, para buscar rentabilidades mais elevadas, e por isso existe uma possibilidade real de haver desvalorização do valor investido. Então podemos dizer que esses seriam os investimentos mais salgados ou apimentados. Investir um percentual elevado do patrimônio em aplicações que podem ter perdas no valor principal com a intenção de conseguir rentabilidades mais elevadas seria uma maneira de ter uma carteira de investimentos “salgada” ou “apimentada”. Cada investidor(a) precisa saber qual a sua tolerância ao risco, para não fazer uma receita culinária que no fim das contas, fique “sem sal” ou “salgada demais”.
O(a) assessor(a) de investimentos tem a função de ser o(a) “chef” dessa cozinha. Com uma análise técnica e experiente, cabe aos assessores identificar a tolerância ao risco de cada investidor ou investidora e entender o seu momento de vida, para endereçar os objetivos e as necessidades de cada um.
Conte com a Ímpar!

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